Estamos
no final do ano de 1.989, um ex-sargento condecorado do Exército Brasileiro,
agora segurança de banco, foi acusado injustamente de assassinar de forma
brutal e impiedosa um Comandante das Forças Armadas, durante um assalto na
cidade do Rio de Janeiro – RJ.
Pelo
fato de ser civil o acusado respondeu ao processo na Justiça Comum, pelo qual
foi julgado inocente, entretanto, por força política, o julgamento fora
anulado, sendo encaminhado o processo de forma arbitrária a Justiça Militar.
Samuel
o ex-sargento, sabedor do seu destino nas mãos dos militares, pagou um preço
muito alto pela sua vida, abandonou esposa e os dois filhos, empreendendo fuga
por estradas vicinais brasileiras, até chegar a divisa com o Paraguai, assim
que atravessou a fronteira, foi ajudado por amigos a embarcar em um avião
cargueiro Britânico, que iria fazer escalas em alguns países, entre eles a França,
destino escolhido pelo agora fugitivo.
Escolheu
a França, pois lá vive há mais de 10 anos Wellington, um ex-comandado e amigo
de longa data, que agora é soldado da Legião Estrangeira, tendo conforme
legislação francesa, se naturalizado, bem como o seu nome alterado para Jean
Paul.
Passado
dois meses, Samuel que vinha sobrevivendo de pequenos bicos e da ajuda do seu
amigo, recebeu uma notícia, que o seu pedido para integrar a Legião Estrangeira
foi aceito, precisaria passar pelos testes físicos e psicológicos. Sem dúvida o
seu histórico militar mais a indicação do agora Sargento da Legião Estrangeira
Jean Paul, contou para ele fosse aceito como um soldado da Legião Estrangeira.
Samuel
agora rebatizado de Oliver, servindo na Legião Estrangeira, conseguiu ajudar a
manter a família no Brasil, foram muitos combates e guerras que enfrentou, mas
depois de cinco anos, como que por recompensa conseguiu levar a sua família
para morar legalmente na França.
Voltando
ao ano de 1.989, assim que Samuel, então segurança, abriu a agência bancária,
foi rendido e após o assalto levado como refém, se não bastasse, durante a
fuga, o carro que os bandidos utilizavam colidiu com outro, onde estava um
Comandante das Forças Armadas que sem saber o que acontecia, saiu do carro com
a arma em punho, o bandido que estava de posse do revolver calibre 38 do
segurança e usando um uniforme igual ao dele, disparou uma vez levando o
comandante ao chão, mesmo assim o meliante abriu a porta de veículo e se
dirigiu até onde encontrava-se o corpo caído, viu que ainda estava vivo,
disparou mais quatro vezes, todos os tiros foram dados no rosto do comandante.
Após
abandonarem Samuel, este ao retornar foi surpreendido, acusado de cúmplice do
assalto e do autor dos disparos que matou o Comandante, conforme depoimento de três
testemunhas que presenciaram a cena do homicídio e pelo exame balístico, que
conforme testes anteriores feitos na mesma arma e que ficam arquivados pela
empresa de segurança e também na polícia, que provou que os tiros viera de
forma inequívoca da arma do segurança. Depois de muita luta conseguiu provar a
sua inocência, mas não para os militares.
Uma
das alegações de Samuel para a Justiça, era que o assassino seria estrangeiro,
pois falava um idioma estranho, e isto somado ao depoimento da esposa do
Comandante que estava dentro do outro carro, com a visão prejudicada pelo sol,
pode ouvir perfeitamente o assassino gritar palavras em outro idioma para o seu
marido antes de mata-lo, o que entre outras provas, acabou servindo para
inocentar Samuel.
Passados
mais de 15 anos, durante uma missão no Senegal, a patrulha da Legião
Estrangeira, do agora novamente sargento, foi emboscada, sua viatura foi explodida
por uma mina terrestre e arremessada longe, se não fosse a blindagem total do
veículo todos teriam morrido com o impacto da explosão, e começou ali uma troca
intensa e insana de tiros, os rebeldes eram em maior número, mas os soldados de
Legião Estrangeira eram melhor equipados e treinados, conseguiram manter
posição até que a ajuda chegasse e os rebeldes se entregassem.
Enquanto
os presos prestavam depoimento, um deles ao passar por Oliver (Samuel) lhe
chamou a atenção, pensou em voz alta, não podia ser, não estava louco, aquele
era o cara do assalto em 1.989. Pediu para o seu comandante Jean Paul, que
interrogasse aquele prisioneiro pessoalmente e lhe perguntasse sobre o passado
no Brasil. Para surpresa se tratava da mesma pessoa.
Samuel
estava exultante, não podia acreditar, o prisioneiro, acabará de confessar
crimes de guerra, e, também o crime cometido no Brasil, perante uma autoridade
reconhecida, finalmente a sua inocência definitiva seria provada.
A
tropa se preparava para deixar o vilarejo com os prisioneiros, quando se ouve
um estampido, todos se jogam imediatamente ao chão, menos Oliver (Samuel) que
fica em pé com as duas mãos no peito. Acabara de ser atingido mortalmente por
um franco-atirador rebelde.
De
volta ao Brasil a família de Samuel, finalmente conseguiu provar para a Justiça
Militar a sua inocência.
Infelizmente
tarde demais.
Silvio
Klinguelfus Junior.