Porém, o começo do fim acontece quando deixamos de ter qualquer tipo de atividade e passamos a nos sentir inúteis, isolados e, consequentemente, solitários.
Os nossos conceitos e preconceitos também envelhecem. Se ainda pensamos exatamente da mesma forma que pensávamos nas décadas de 80 ou 90, é muito provável que não tenhamos mais vida social nenhuma — e, pior, corremos o risco de nos tornarmos irrelevantes ou deslocados no tempo.
Se não nos reciclarmos para a vida, seremos engolidos e deixados para trás. Enfim: se a sua vida está colapsando, talvez seja porque você se aposentou dela.
Infelizmente, vivencio isso na prática. Muitos amigos que se aposentaram profissionalmente e não se prepararam para se manter ativos física e intelectualmente nesta nova etapa, hoje não conseguem sustentar 10 minutos de uma conversa saudável. Quando muito, repetem dogmas ultrapassados de um passado que já não existe mais e falam sobre política — não que falar de política seja ruim, mas a visão que trazem não vem da experiência do dia a dia na sociedade, e sim do que lhes é vendido pela televisão tradicional e por sites pouco confiáveis, independentemente do espectro político.
Quer se sentir vivo? Continue estudando sobre o que lhe faz bem e jamais abra mão de uma rotina laboral ou social que mantenha você conectado com outras pessoas.
É isso: o ócio estéril é a verdadeira tragédia do ser humano.
A aposentadoria do trabalho não pode significar a aposentadoria da existência. Envelhecer com dignidade e vigor exige um esforço contínuo de adaptação, renovação de ideias e busca por novos propósitos. Ficar estagnado nas convicções do passado é o atalho mais rápido para a solidão e o isolamento. Portanto, manter o corpo em movimento, a mente curiosa e o diálogo aberto com o presente é a única fórmula eficaz para continuar não apenas vivo, mas verdadeiramente ativo e relevante.
Silvio K. Jr.