Deus tocou o meu coração e minha alma,
abrindo meus olhos para a verdadeira essência da vida.

27 de julho de 2021

Pandemia

 Essa pandemia nos trouxe perdas dolorosas, porém, em contrapartida nos ensinou a valorizar tantas coisas.


Posso falar por mim é claro.


Me considero um abençoado não apenas por ter superado a Covid, mesmo sendo um paciente com histórico oncológico e acima do peso. Eu me considero um privilegiado por ter trabalho e estar trabalhando presencialmente todos os dias dessa crise sanitária, me relacionando com pessoas, vendo o sol raiar, as estrelas a brilhar, minha filha crescer e junto com a minha esposa amadurecer.


Eu me sinto abençoado e um privilegiado por não ter sucumbido ao medo e ser derrotado pelo desconhecido.


Diante de tanta negatividade confesso que muitas vezes é preciso ter muita coragem para abrir a porta da rua e sair para trabalhar e poder sustentar a sua família de maneira digna.


Eu me importo com cada um de vocês que leem essas minhas mensagens.


Eu me importo com a vida de todos.


Creio que a minha missão seja muito mais do que levar palavras de ânimo e conforto.


Mostrar como a fé é importante, em como ela mudou a minha vida e me fez compreender que não adiantaria de nada eu ficar sentado reclamando da minha situação.


Que nada cai do céu se não nos movimentarmos.


Que com Deus somos capazes de superar qualquer adversidade que possa surgir em nossas vidas.


Essa é a minha missão, quiçá, a todos nós.


Somos importantes não só pelo o que fazemos, mas principalmente por aquilo que somos.


Todos nós somos filhos de Deus.


Um beijo no coração e que Deus nos abençoe hoje e sempre.


Silvio K. Jr.

1 de fevereiro de 2021

DIÁRIO COVID 19

- 07/01 (quinta-feira) - Primeiros sintomas:

Olhos ardentes e lacrimejando.

 

- 08/01 (sexta-feira) sem sintomas, a ardência nos olhos passou, apenas um pouco de cansaço, aparentemente fruto de uma noite mal dormida.

 

- 09/01 (sábado) acordei bem, fui trabalhar e do nada uma tosse seca começou a incomodar, logo após o almoço senti o meu corpo arrepiado, como se eu tivesse com intoxicação. Logo em seguida comecei a transpirar sinal de febre e de que alguma coisa estava errada comigo. Enfim, sintomas de uma gripe forte, tomei um antigripal, os sintomas melhoraram, mas a febre não cedeu.

 

- 10/01 (domingo) acordei ensopado de suor, porém, a febre havia cedido, continuei o tratamento à base de antigripal a febre voltou, tomei dipirona ela cedeu novamente, mas no final do dia estava de volta. Já havia tomado a decisão de fazer o teste da Covid antes de ir para o trabalho na segunda-feira.

 

- 11/01 (segunda-feira) acordei ensopado de suor, mas, muito bem, a febre havia cedido, estava feliz. Do nada novo ataque de transpiração e algumas idas inesperadas ao banheiro. A febre novamente instalada. Exame do cotonete feito e teste positivo para a Covid. Passei pelo médico que receitou diversos remédios e início imediato do tratamento. Passei o dia bem, apenas o incomodo da transpiração que no meu entender, significa que o meu organismo está lutando contra o vírus e que os remédios estão fazendo efeito. Como eu não costumo tomar remédios, os efeitos são rápidos em meu organismo.

 

- 12/01 (terça-feira) mais um dia que acordo ensopado de suor, porém, sem sintoma algum aparente nem de febre. Passei bem o dia, de sintomas apenas a tontura. A noite aparentemente dei adeus ao meu paladar e de volta a transpiração excessiva.

- 13/01 (quarta-feira) para variar acordei ensopado novamente. Os sintomas permanecem os mesmos, muita tontura, transpiração excessiva e um pouco de cansaço mental, como é difícil mudar a direção dos nossos pensamentos.

 

- 14/01 (quinta-feira) uma semana dos primeiros sintomas. Para não sair da rotina, mais um dia acordando ensopado. Haja pijama e roupa de cama. Mas, graças a Deus esse junto com as tonturas são os maiores sintomas que eu venha sentindo. E claro a luta diária para mudar os pensamentos. Perdi a vontade de ler, parece que não conseguimos raciocinar direito. A gente lê uma página, tem que reler, que canseira isso. Resta a televisão. Meooooooo Deooollls, só desgraça. Daí vem a raiva, queremos ficar mais sozinhos ainda, perda da paciência, vontade de ficar quieto, isolado mesmo... Daí a gente se lembra dos parentes, amigos, colegas que estão passando por isso também e lá vem mais preocupação e o ciclo começa de novo. Dá-lhe pensamentos. Para encerrar o período noturno, eis que surge um novo sintoma, a diarreia.

 

- 15/01 (sexta-feira) pela primeira vez desde que a doença se manifestou acordei sem estar ensopado, que sensação excelente. Obrigado Pai. As tonturas que venho sentido aparentemente também diminuíram. Porém, em compensação a diarreia continua. Risos. Bora para os próximos capítulos... Nova sintonia mental e tudo certo no tempo de Deus e assim lá se vão nove dias e contando... Diarreia terrível no dia de hoje fora os enjoos. Acabaram comigo.

 

16-01 (sábado) - Cansado, noite mal dormida. Aparentemente a diarreia acabou ou ela acabou comigo. Restaram os enjoos. De outros sintomas, graças a Deus nem notícias. Vamos ver como esse dia se desenrola... Já deu tudo certo. Muita ansiedade, tédio. Não consegui dormir, não consigo mais ficar em casa. Parece que a gente vai explodir.

 

17-01 (domingo) último dia da medicação. Nem acredito. Não suporto nem mais o cheiro do remédio, estou com o estômago embrulhado, muitas náuseas. A ansiedade tomou conta. Até parece que um vazio tomou conta da alma. Que loucura... Não consigo nem me concentrar. Me ajuda Pai...

 

18/01 (segunda-feira). Vamos lá. Obrigado a todos pelo carinho. Realmente essa etapa psicológica da doença não é fácil. Achei que eu iria conseguir passar por ela sem arranhões. Ledo engano. O pior até agora para mim foi o enjoo e a diarreia. Hoje mais uma vez dormi muito mal, levantei várias vezes devido a diarreia que voltou. Basicamente estou abatido e com fraqueza. O difícil mesmo é não ter posição para dormir e o cérebro fica ativo 24 h e não lhe dá trégua. Não vejo a hora de voltar à ativa. De resto só tenho a agradecer.

 

Epílogo.

19/01 (terça-feira) – Hoje é o meu último dia deste diário. Para variar dormi muito mal e como também não é novidade acordei bem enjoado. Porém, sem os sintomas clássicos, principalmente de febre que há alguns dias não aparece. Assim, eis mais um ciclo que se encerra em minha vida e com certeza outros virão. Gostaria de agradecer a todos vocês que dedicaram um tempinho das suas vidas para uma oração pela minha pessoa, para me enviar boas energias e escrever palavras de ânimo. Elas, sem dúvida foram de suma importância para mim em alguns momentos bem delicados desse processo chamado Covid 19. Vida que segue... Um beijo no coração e que Deus nos abençoe hoje e sempre.



18 de outubro de 2020

TICHA A DESAVERGONHADA

 

Outro dia conheci a Ticha, eis o seu nome de guerra.

 

Ela me encarou e olhou fixamente nos meus olhos, senti um arrepio percorrer a minha espinha.

 

Eu precisava tomar uma atitude, então me levantei e fui em sua direção, infelizmente ela agiu de forma surpreendente, deu um salto e saiu ligeira, não me dando chances de alcançá-la, entretanto, não deixei de notar o seu jeito de andar, enquanto me deixava ali estático.

 

Qual não foi a minha surpresa quando a vi novamente, mas agora em meu quarto, de repente como se por mágica, ela já estava em minha cama, que loucura.

 

E como me deu trabalho, ela muito rápida, logo estava percorrendo toda a minha cama com uma agilidade incrível e começou a deslizar pelo meu corpo e eu tentando freneticamente acompanhá-la, mas quem diz de conseguir, realmente estou ficando velho.

 

Quando finalmente consegui agarrá-la com as minhas mãos, eu estava tão excitado com aquela situação, um mix de surpresa e raiva, que pressionei com as pontas dos meus dois polegares o seu pescoço quase levando-a a óbito. Ela estava completamente gelada.

 

Confesso que fiquei com medo de tê-la asfixiado, porém, observei que se mexia, com ela ainda em minhas mãos, levantei-me rapidamente, abri a porta colocando-a  para fora da minha casa.

 

E disse:

 

- Vá Ticha e nunca mais volte.

 

Ela virou-se para mim, ameaçou voltar, mas, eu fui firme, bati a porta e fiquei pensando comigo mesmo, que desrespeito dessa tal de Ticha, vir a minha casa e invadir a minha cama desse modo.

 

Senti algo mexendo nos dedos do meu pé, era um pedaço da Ticha que deve ter se partido quando bati a porta.

 

Para quem tiver interesse em conhecer a Ticha, o seu verdadeiro nome é Lagartixa.

 

Deve estar sem o seu rabo nesse momento.

 

Me desculpe Ticha.

 

Mas, tenho certeza de que você vai se recuperar.

 

Meooooooo Deooollls.

 

Silvio K. Jr.

27 de setembro de 2020

A VIDA E SEUS MISTÉRIOS...

 

Em uma casinha simples, assim como tantas outras no Estado do Paraná que são feitas de madeira, por serem um excelente isolante térmico, perfeita para os períodos de extremo frio naquela região do país.

 

Pai, mãe e filho viviam o sonho de todo pequeno agricultor, conseguir sobreviver com aquilo que produzem.

 

Nessa vida simples o radinho de pilha era companheiro inseparável o pequeno Samuel que mais parecia um curió de tanto que gostava de cantarolar, adorava as modas de violas, mesmo aos cinco anos de idade, sabia todas de cor.

 

O seu talento impressionava aos seus pais, que sabiam estar diante de um gênio, mesmo quando a pequena rádio do interior tocava algumas músicas estrangeiras ele sabia cantá-las e era capaz de assobiar com perfeição as músicas clássicas que ouvia incansavelmente na pequena vitrola que ganhou de presente de aniversário dos seus avós, juntamente com alguns discos de vinis que continham as maiores obras primas.

 

A vida seguia tranquila para o pequeno Samuel, até que o inesperado acontece naquele ano de 1.992, um tornado de proporções gigantescas assolou a região da pequena cidade de Almirante Tamandaré – PR., o pai ao ver o tornado se aproximando, levou a esposa e filho para um pequeno porão que ficava abaixo da casa, ficando o pai deitado por sobre os dois, infelizmente a casa de madeira não aguentou e desmoronou, uma viga do telhado caiu com tanta força que varou o alçapão do porão, vindo a ferir mortalmente aos pais do Samuel que somente sobreviveu por centímetros.

 

Ali preso nos escombros, por debaixo dos corpos dos seus pais, esperou por quase três dias até que o resgatassem, nesse período, a sua companhia fora um rádio que funcionou sem parar, trazendo mensagens de esperanças, músicas que Samuel nunca as tinha ouvido, mas que calavam fundo ao seu coração, jurava ouvir seus pais através do rádio, dizendo que estavam bem e que a ajuda logo viria, e que mesmo de longe sempre estariam junto com ele e que o seu futuro embora fosse em terras distantes e no idioma dos seus avós, logo ele estaria de volta para ajudar muitas pessoas.

 

As horas iam passando e o pequeno Samuel como se confortado, já não se sentia tão só, quando os vizinhos da propriedade rural conseguiram finalmente chegar até a ele, se espantaram com a sua coragem. Samuel parecia ser um adulto, tamanha era a sua força moral.

 

Contou aos seus socorristas como tudo aconteceu e as histórias que ouviu no rádio, porém, o único rádio que encontraram naquele porão, era um velho, aparentemente quebrado e que não era alimentado por pilhas e sim por eletricidade, o que toda a região estava sem, desde o dia da passagem do tornado. Imaginaram que o pequeno Samuel estava em choque e que havia imaginado tudo aquilo.

 

Seguindo as orientações que lhe foram passadas, Samuel pediu para ir morar com a tia, irmã da sua mãe, o que não lhe foi negado e assim seguiu para a Curitiba – PR. Sua tia era extremamente amorosa e se parecia muito com a sua mãe, ela o recebeu como filho e além das afinidades entre parênteses próximos, os dois tinham o amor pela música em comum, sua tia cantava muito bem e o seu tio tocava na Orquestra Sinfônica do Paraná, criada então a pouco mais de cinco anos.

 

Assim nessa família musical ele se desenvolveu musicalmente, compondo aquelas músicas que ouviu quando estava soterrado, o seu tio no início o ajudava a transformá-las em notas musicais, mas, logo Samuel fazia tudo sozinho e com extrema destreza, e aos 10 anos de idade, após participar e ganhar um concurso para novos talentos, teve a sua primeira obra executada pela Orquestra Sinfônica do Paraná.

 

Um grande maestro internacional havia sido convidado a participar como jurado naquele concurso e se espantou com a qualidade daquela música, obviamente se interessou em conhecer o autor, ao se deparar com as outras obras do pequeno Samuel, se encantou e imediatamente o convidou juntamente com a sua família para irem morar com ele em Berlim, na Alemanha.

 

Novamente a vida do pequeno Samuel muda completamente, e mesmo assim, ele seguia seguro, não titubeou nem um pouco quando o contive chegou, os seus tios sabiam que estavam diante de um pequeno gênio e igualmente não tiveram medo em aceitar ao convite.

 

A vida em Berlim foi repleta de alegrias, Samuel dominou o idioma imediatamente, bem como os seus tios que assim como ele tinham origem germânica e já eram familiarizados com a língua, haja vista, seus avós e pais se comunicarem no idioma da terra materna.

 

Inacreditavelmente mesmo sendo na atualidade um dos maiores compositores de músicas clássicas no mundo, Samuel não é reconhecido no Brasil.

 

Hoje aos trinta e três anos de idade, divide o seu tempo entre a Capital Alemã e a pequena Almirante Tamandaré, no Estado do Paraná, e naquele mesmo sitio onde outrora morou e perdeu seus pais, fundou uma escola onde se ensina de tudo, da música clássica, passando pelo balé, indo até a leitura, navegando por histórias, contos e poemas, verdadeiro oásis da cultura que floresceu justamente onde tudo parecia ter terminado um dia.

 

A vida e seus mistérios...

Silvio Klinguelfus Júnior

11 de julho de 2020

A TRANSFORMAÇÃO


Estamos em meados do ano de 2.008, o nosso personagem acaba de completar 40 anos, e como diz o ditado popular, é quando a vida começa. Assim nada melhor que um check-up médico, para ver como andam as coisas internamente.

Procurou por um cardiologista que lhe pediu todos os exames necessários, tudo certo com o nosso amigo, passou com louvor nos testes físicos, deixando o médico feliz. Após os exames clínicos de praxe, o Doutor estava fazendo as anotações finais na ficha do paciente, quando este de repente (intervenção Divina) resolve lhe perguntar se havia ocorrido algum caso de câncer na família, cuja resposta fora afirmativa. Diante disso o Doutor esclarece que irá solicitar mais um exame, que normalmente é feito a partir dos 50 anos, mas dado o histórico, é melhor fazê-lo nesse momento, trata-se de um exame chato, o nome dele é colonoscopia.

O resultado desse exame não podia ser mais avassalador, o câncer foi detectado, e naquele momento começa uma nova etapa na vida do nosso amigo.

O tempo seguiu implacável, após alguns meses tudo estava confirmado, o câncer já havia saído da parede do intestino, cirurgias seriam necessárias, assim como todo o tratamento radiológico e quimioterápico, sua chance de cura batia os 30%.

Nesse interim, onde nuvens escuras se formaram em sua vida, ele percebeu que algo estava faltando. Para uma pessoa com uma visão materialista do mundo, isso lhe soava muito estranho, não era ateu, mas, um atoa, assim como milhões de brasileiros, teve uma formação religiosa nos tempos de criança, porém, totalmente inoperante em sua vida.

Procurando atender aquele anseio que carregava em seu coração, finalmente procurou por ajuda espiritual, infelizmente as portas não se abriram, como se fosse um castigo pelos anos que se manteve afastado, até que uma ajuda veio de onde ele menos esperava, um até então colega, lhe disse, não é Deus que lhe abre as portas e muitos menos pessoas, é você que deve convidá-lo a entrar e fazer parte da tua vida.

E aquele colega, se tornou um amigo e um irmão, pegou em suas mãos e o orientou em seus primeiros passos, e assim, um novo mundo se abriu diante dos seus olhos e a certeza que não estava mais sozinho lhe deu novo ânimo de lutar pela sua vida.

Sem dúvida alguma, foi necessário ser nocauteado, ter beijado a lona, para que pudesse a voltar a enxergar a verdadeira essência da vida.

O tratamento foi árduo não apenas para ele, mas principalmente para sua esposa e filha, que passaram juntas por todo o sofrimento, entretanto, havia uma luz diferente brilhando naquele lar, não mais existiam as nuvens escuras de outrora, e a paz ali reinava.

Depois de exatamente nove meses, o seu tratamento chegou ao final. Nasceu ali uma pessoa melhor. Saiu chamuscado é bem verdade, cheio de sequelas que lhe acompanharão para o resto de sua vida. “E por mais paradoxal e incrível que isso possa parecer, o mal que o câncer lhe causou, nem se aproxima do bem que ele lhe trouxe.” Essa frase quem disse foi o ex-vice presidente da República José de Alencar, durante um tratamento de câncer idêntico, que o levou a óbito. Aliás, quando o nosso personagem a ouviu, o seu tratamento estava na fase inicial e imaginou que aquele homem só podia estar louco, e, entretanto, hoje carrega essa frase como uma lição de vida.

Pelo vale da sombra da morte caminhou, porém, sempre acompanhado, ali aprendeu e apreendeu lições para a eternidade, reviu a sua vida como em um filme, não gostou do que assistiu, e, de volta a vida retornou, e nesse período de moratória, um novo roteiro escreveu.

Aprendeu que a fé, embora seja uma palavra bem pequena, tem uma força transformadora inacreditável. Basicamente, a crença é acreditar naquilo que não vemos. A fé nada mais é do que uma crença, entretanto, ela tem um fator a mais, que é a "CONFIANÇA”. Então além de crer você confia, isso é fé.

Hoje segue escrevendo a sua história, tentando ser hoje, melhor que ontem e a amanhã melhor que hoje, esquecendo o mal, crendo no bem e servindo com amor.

Graças a Jesus.

Graças a Deus.

Silvio Klinguelfus Júnior.


4 de julho de 2020

AMIZADE...



Cacá e Binho esses dois nunca deram certo desde a infância, viviam se estranhando.

Antigamente não havia o muro invisível que há hoje, separando os ricos dos pobres, todos estudavam em escola pública, a única diferença entre eles, era a possibilidade de uma viagem ao exterior ou ainda cursos de aperfeiçoamento, mas a base educacional era a mesma para todos.

Assim final dos anos 70 e início dos anos 80, Cacá e Binho cresciam a olhos vistos. Cacá filho de um grande empresário da cidade e Binho filho de um pequeno agricultor rural, aliás, zona rural era uma coisa muito comum nas cidades do interior, então as famílias que moravam na zona rural das cidades e que se importavam com a educação dos seus filhos, se esforçavam para enviá-los até as escolas.

Foi assim que esses dois se conheceram e se desentenderam desde o primeiro ano do primário, até parecia que havia algo maior que impedisse eles de serem amigos, o tempo passou e o ginásio chegou e com ele um mundo de novas descobertas, embora completamente diferentes, tanto em atitudes como no biotipo, eles possuíam algo em comum, as garotas.

Cacá fazia o tipo filhinho da mamãe, sempre muito bem cuidado, perfumado e educado, embora fosse pequeno, era atlético e as meninas simplesmente o adoravam. Binho por sua vez, era meio largado, cabelos sempre compridos, tez bronzeada pelo trabalho no campo, e as garotas também o adoravam.

Nos esportes, competiam em todas as modalidades que a escola oferecia, basquete, vôlei, handebol e futebol de salão, e naturalmente eram antagonistas, e sempre que a escola ia participar de algum campeonato um dos dois sempre ficava de fora, até os professores sabiam que essa dupla não dava liga.

Cacá ia para escola em sua mobylette e sempre dava carona para alguma menina, mas Binho não ficava para trás, ele vinha para a aula montado em sua égua mangalarga de nome Esmeralda, que ganhará de presente de aniversário de um tio, sempre bem cuidada a égua fazia tanto sucesso entre as meninas que faziam fila para dar uma voltinha com Binho.

Quando havia festa de aniversário de algum colega em comum, Binho sempre era o mais popular entre os amigos, já Cacá adorava conversar com os pais e a família do aniversariante, chegava a ser impressionante a desenvoltura dele junto as pessoas mais velhas, parecia um adulto, sabia conversar sobre todos os assuntos, dava opiniões políticas e sem dúvida alguma era o queridinho de todos os pais de meninas, que adorariam tê-lo como genro.

Esse que vos conta essa história era um amigo em comum desses dois personagens. Muito prazer eu sou o Paulinho. Ambos frequentavam a minha casa e eu a deles, nossos pais eram amigos, não havia nada que impedisse a nossa amizade, as visitas sempre eram em dias diferentes, para evitar situações desagradáveis. Infelizmente, existia um agente complicador nessa nossa amizade, minha irmã Rosinha, os dois viviam arrastando asas para ela, que adorava.

Rosinha começou a namorar Cacá na época do Colegial, com isso Binho se afastou da minha casa e já não mais me convidava para ir a dele, o tempo foi passando o namoro de Cacá e Rosinha não deu certo. E Cacá por motivos óbvios também deixou de frequentar a minha casa e eu a dele.

A nossa amizade esfriou, mas não a competição entre eles, que acabou indo parar em uma delegacia, os dois saíram no tapa, durante a festa de debutante da Patrícia, a menina mais bonita da escola.

O colegial terminou e todos seguiram o seu caminho, Cacá se formou em Direito se casou com Patrícia àquela menina que era a mais bonita da escola, e Binho se formou Engenheiro Agrônomo e acabou se casando com Rosana a menina  mais linda da cidade que foi até miss e filha de um político muito poderoso. Quanto a mim, fiz jornalismo, me casei, tive um casal de filhos e fundei um Jornal que cresceu junto com a cidade.

Seguia a ano de 2.019, estava eu curtindo a praia em um Resort na Bahia com a minha esposa, quando olho dois rapazes se beijando a beira-mar, de repente eles se viram em nossa direção, acenam e começam vir até nós, a princípio achei que não era comigo, coloquei meus óculos, tirei os óculos, olhei para a minha esposa, limpei os óculos, coloquei os óculos novamente, simplesmente não acreditava no que eu estava vendo, Binho e Cacá juntos.

Mas, imediatamente eu entendi toda aquela antipatia entre eles, na verdade era amor.

Binho e Cacá agora são um casal e nós o casal de amigos que viajam juntos para todos os lados desde então...

Silvio Klinguelfus Júnior



30 de junho de 2020

A SOCIEDADE




Já passavam das três horas da madrugada e nada do sono chegar. Nelson já tinha assistido a televisão, lido um livro, rezado e nada.

O pior era que o dia estava repleto de compromissos importantes, e uma noite onde conseguisse dormir muito bem, viria a calhar, entretanto, a ansiedade tomou conta, só pensava em como deveria proceder diante de tantas situações que lhe aguardavam.

Assim as horas foram passando e conseguiu cochilar por volta das cinco horas da manhã, mas, logo acordou assustado com o som do alarme do despertador que marcava exatamente 6:15 h.

Parecia que havia levado uma surra, levantou-se com muito custo, tomou um banho, fez a higiene pessoal, se arrumou com esmero, o dia seria puxado, não tinha dúvidas, entretanto, seria recompensador.

Ao chegar à garagem do Edifício onde o seu carro estava estacionado, entrou e deu partida e nada do carro funcionar, pensou consigo mesmo: nada de desespero, vou de taxi.

Chegando ao ponto de taxi que fica próximo a sua residência, não havia nenhum carro, esperou dez minutos e nada, olhou o relógio, fez as contas, se pegar um ônibus até a estação do metrô do Tatuapé, conseguirá chegar com folga ao primeiro e mais importante compromisso do dia.

Rumou ao ponto de ônibus, os quatro primeiros passaram lotados, conseguir pegar o próximo, seguiu espremido até desembarcar na estação do Tatuapé, novamente olhou as horas, já não tinha mais margem para atrasos. Ao descer as escadas de acesso ao terminal, parecia que São Paulo inteira estava se utilizando do transporte público, infelizmente foi preciso muita paciência para conseguir embarcar.

Dentro do vagão, a situação não era diferente a do ônibus, seguiam como sardinhas, para ajudar o ar condicionado não estava dando conta e o calor já beirava o insuportável, quando de repente o metrô para de funcionar, escuridão total, as luzes de emergência se acendem, dez minutos depois o vagão começa a se mover novamente.

Pelas suas contas, já está atrasado, a viagem até a estação Marechal Deodoro que demoraria em média 20 minutos, agora já estava na casa dos 40 minutos.

Já desanimado ao descer na estação Mal. Deodoro, seguiu para o próximo trajeto que seria a pé, são pelo menos cinco quarteirões seguindo em linha reta pela Rua das Palmeiras, até chegar ao Prédio onde fica o seu escritório, assim que começou a caminhada, mais uma surpresa, uma chuva dessas de lavar a alma, não durou mais do que três minutos, tempo suficiente para pegar Nelson no meio do caminho entre a estação e a primeira marquise de um prédio onde poderia se abrigar.

Agora o quadro estava completo, atrasado e ensopado, o que mais poderia acontecer, dessa forma seguiu rumo ao trabalho, começou a mancar, acabará de perder um salto do sapato, que passou boiando pela enxurrada em direção a boca de lobo.

Ao chegar ao prédio onde fica o seu escritório, os três elevadores não estavam dando conta da quantidade de pessoas, as catracas de acesso estavam lotadas, não teve dúvidas, já estava literalmente ferrado, resolveu subir pelas escadas os dez andares, tirou os sapatos, as meias e começou a subir, quando estava no oitavo andar, sua respiração estava ofegante, o coração batia forte e as pernas estavam trêmulas, pensou em desistir, parou um pouco respirou, se curvou, apoiou os braços nas pernas, respirou e resolveu continuar.

A muito custo conseguiu terminar os dois andares que faltavam, as escadas deste edifício davam acesso a parte de trás das salas comerciais, enquanto os elevadores pela parte da frente, somente quando Nelson parou de frente a porta é que se lembrou que emprestará a chave da porta dos fundos para André, seu sócio. O escritório pegava todo o andar e àquela era a única porta de acesso pelos fundos. Os seus funcionários começariam a chegar apenas a partir das nove horas. A pedido do cliente havia marcado a reunião mais cedo. Mesmo assim resolveu bater à porta, obviamente que ninguém atendeu, pois ele seria o primeiro a chegar naquele dia.

Estamos no início do ano de 1.990, os celulares ainda não haviam começado a operar no Brasil. Dessa forma, Nelson não teve alternativa a não ser descer novamente os 10 andares. Durante a descida pensava que o negócio não era para dar certo, já faz dez meses que eles estavam negociando essa parceria, que seria fantástica para o seu escritório, infelizmente depois desse atraso, provavelmente tudo teria ido literalmente por água abaixo, tendo que começar a remar tudo novamente.

Ao chegar ao térreo o segurança que era amigo de Nelson, sorriu ao vê-lo descalço, despenteado, ensopado e esbaforido, sem dar tempo de o segurança falar qualquer coisa, emendou, se abrir a boca, vamos sair no braço, Antônio não aguentou e caiu na gargalhada.

Os elevadores já não estavam tão cheio o próximo período de movimento seria as 9:00 horas, assim, Nelson entrou sozinho no elevador e pode ver quando a porta estava quase se fechando, que entrava no prédio uma mulher correndo, toda molhada com o cabelo escorrido e com os sapatos de salto altos em uma das mãos, a porta se fechou e ele sorriu, novamente olhou para o relógio, 50 minutos atrasado, ninguém esperaria no corredor todo esse tempo, ainda mais se tratando do representante do maior e mais respeitado escritório de advocacia da cidade de São Paulo, quiçá, do Brasil.

As sair do elevador, viu que não tinha ninguém no hall de acesso, se olhou no espelho, estava deplorável, não era para menos que Antônio o segurança havia caído no riso. Assim, resolveu mudar os seus pensamentos, esboçou mais um sorriso, lembrou daquela mulher que estava em situação pior do que a dele.

Nem bem Nelson havia entrado em seu escritório, ouviu algumas batidas a porta, e lá foi ele manquitolando abrir ver quem era, provavelmente deveria ser algum funcionário chegando. Ao abrir a porta, foi surpreendido pela aquela mesma mulher que ele havia visto chegar ao prédio, ela estava em pior estado do que ele, entretanto, ela continuava linda, tratava-se sem dúvida de uma linda mulher.

- Em que posso ajudá-la?

- Tenho uma reunião agendada com o Dr. Nelson e estou atrasada, será que ele poderia me receber, eu sou Valentina, sócia do escritório G & P Advogados e Associados.

- Doutora Valentina, é um prazer recebê-la em meu escritório, eu sou o Dr. Nelson, muito prazer. Me desculpe pelo meu estado.

Os dois riram muito da situação, inacreditavelmente Valentina havia enfrentado problemas semelhantes para chegar até o escritório.

Nelson propôs a Valentina que a eles se recompusessem dentro do possível e que ela o acompanhasse até a uma loja de departamento muito famosa que ficava na esquina.

Assim o fizeram, foram as compras, se arrumaram a contento nos provadores, a loja de departamento, contava ainda com com um salão de beleza completo, o qual Valentina aproveitou para arrumar os cabelos e a maquiagem, enquanto isso Nelson cortou os cabelos e aparou a barba.

Agora recompostos, resolveram atravessar a rua e seguir até uma cafeteria para degustar um excelente café e aproveitaram para se conhecerem melhor.

Depois de muitas risadas ficou acertado entre eles, que a parceria estava firmada, pelo visto para a vida toda, depois de dois anos Valentina e Nelson entravam na Igreja para se casarem, e adivinhem, caiu um temporal e o casamento quase não aconteceu, dos dois se atrasaram...

Silvio Klinguelfus Júnior.


21 de junho de 2020

PELAS ESTRADAS DA VIDA




Estamos em meados dos anos setenta, Pedro trabalhava como representante comercial de uma famosa empresa americana de lubrificantes para motores, morador da cidade de São Paulo – SP., o seu raio de atuação englobava todas as cidades margeadas pela Rodovia Presidente Dutra, que liga a cidade de São Paulo a do Rio de Janeiro – RJ., naquela época, ele praticamente levava cinco dias para atender todas as cidades na ida e outros cinco na volta, soma-se a isso, os finais de semana, portanto, ele ficava praticamente uma quinzena fora de casa.

Pedro era solteiro, filho mais velho do casal de italianos Giuseppe e Maria, morava sozinho em um sobrado ao lado da casa dos seus pais no bairro da Mooca na cidade de São Paulo, estava com 25 anos de idade, era um jovem bem afeiçoado e como todo italiano que se preze gostava muito de falar e de gesticular, pontos positivos para a sua profissão, que aliás, ia muito bem, tinha um ótimo salário, comissão pelas vendas, seguro de vida, hospedagem e despesas com alimentação pagas pela empresa, bem como carro do ano e quilometragem livre, o que deixava para ele ao final do mês, praticamente todo o seu salário livre, em cinco anos nessa empresa, conseguiu comprar a vista a sua casa e fazer alguns bons investimentos.

Seus pais já haviam se acostumado com as viagens de Pedro e sempre esperavam ansiosos pelo seu retorno ao lar, principalmente pelas suas histórias e experiências que ele gostava de compartilhar com eles, e também por alguns presentes que trazia para sua mãe, entre eles muitos doces e queijos das regiões visitadas.

Algumas vezes, nessas viagens, Pedro resolvia visitar todas as cidades na viagem de ida, embora corrido, ele tinha uma intenção por de trás disso, ele gostava muito de fazer o percurso de volta pela Rodovia Rio – Santos, curtindo a estrada com o seu carro um Passat ano 1975 tipo exportação e também todas as praias do trajeto, sem contar que adorava parar em uma pousada na cidade de Paraty – RJ., onde a filha dos proprietários era uma paixão a muito correspondida, ficava por lá pelo menos de dois a três dias no mês, aproveitando o namoro com Letícia.

Durante o jantar, na véspera de mais uma viagem para o Rio de Janeiro, Pedro avisou aos pais, que iria trazer Letícia para que eles a conhecessem, pois eles iriam ficar noivos, sua mãe ficou muito feliz com a notícia, pois, ansiava em conhecer a futura nora que certamente iria preencher um enorme vazio em sua vida, uma vez, que o casal havia tido cinco filhos, todos homens e o sonho dela sempre foi ter uma menina.

Assim Pedro seguiu viagem, deixando para trás, pais esperançosos com o seu retorno e de outro lado, Leticia o aguardava ansiosa em Paraty.

Pedro estava exultante, todos os seus clientes perceberam que ele estava diferente e quando lhe perguntavam, ele dizia que iria se casar, logo, logo e todos os cumprimentavam pela decisão tomada.

Quando chegou a Paraty, conforme combinado, o casal comemorou o noivado, deixando os pais de Leticia muito felizes, e o casamento fora marcado para dali a um mês. Essa pressa toda tinha um motivo, Letícia estava grávida o que deixava Pedro ainda mais feliz, mas, resolveram não contar a ninguém em um primeiro momento.

Depois do noivado seguiram rumo a São Paulo, para que Letícia fosse apresentada a família de Pedro, o que aconteceu com muita festa, Dona Maria simplesmente amou a sua nora, imediatamente começou a chamá-la de filha, nascia ali um relacionamento que não tem nenhuma explicação lógica.

Quando levava de volta Letícia para a casa dos pais em Paraty, durante a descida da serra do mar, um acidente envolvendo um caminhão sem freios, acabou jogando o carro de Pedro para fora da estrada em direção a um abismo, Letícia foi arremessada para fora do carro, mas, Pedro afundou juntamente com o carro nas águas caudalosas do Rio Paraibuna  e seu corpo não foi encontrado.

Leticia sobreviveu ao acidente, ficou em coma durante uma semana, mas não perdeu o bebê, teve alguns ferimentos graves, mas se recuperou bem. Ela passou a residir na casa de Pedro, a família que durante o período em que ela estava em coma, foi informada pelo médico do seu estado gravídico, a adotou como filha e a chegada de Luana encheu de alegria aquela família italiana que estava em luto e com o coração partido pela perda do seu primogênito.

A situação econômica estável de Pedro mais o seguro de vida da empresa americana, deixou Letícia e sua filha em uma situação muito cômoda do ponto de vista financeiro, somando-se a isso o amor que elas recebiam da família, principalmente de Dona Maria, que a tratava como uma filha querida, tranquilizava o coração de Letícia quanto ao futuro de Luana.

Dois anos haviam se passado desde o acidente quando uma notícia abalou a estrutura da família, o Pai de Letícia ficou sabendo que um homem sem identificação que estava hospitalizado na cidade de Cunha – SP., saiu do coma depois de dois anos, mas, sem memória. Alguma coisa o levou a pegar o seu carro e subir a Serra que liga Parati a Cunha, para conhecer esse homem. Qual não foi a sua surpresa ao ver que se tratava de Pedro.

Assim que Pedro viu o seu sogro, imediatamente a sua memória voltou e um rio de lágrimas começou a escorrer pela sua face, o seu sogro emocionado também não conteve o choro, ao abraçar Pedro, este lhe perguntou como estavam Letícia e o bebê, ao receber a notícia que ambos passavam bem, não conseguia conter a emoção.

Disse ao sogro se lembrar perfeitamente do acidente, que não teve culpa, que foi colhido por um caminhão em uma das curvas e que viu Letícia ser arremessada para fora do carro e depois apagou.

Em São Paulo uma festa sem precedentes foi armada para receber Pedro, estavam todos lá, até mesmo seus antigos clientes fizeram questão de comparecer.

Ao chegar em companhia dos seus sogros, Pedro ainda em recuperação, não sabia de sorria, se chorava, se ficava preocupado com a saúde dos seus pais ou com a de Letícia, tamanha fora a emoção do reencontro, de repente, seus olhos se cruzaram com a da pequena Luana que estava no colo de Letícia, ao ver aqueles olhinhos perscrutarem a sua alma, sucumbiu a emoção, sabia em seu íntimo que ali estava o motivo de ter continuado vivo.

E em uma prece sentida entre tantos abraços e beijos, agradeceu ao Pai por mais essa oportunidade.

Silvio K. Junior

18 de junho de 2020

MARCHE


Siga em frente. 

Marche!!!

Isolamento social é diferente de afastamento social.

Não se deixe contaminar pela solidão.

Acredite, nós precisamos uns dos outros.

Não deixe a sua alma ficar imóvel diante do vírus.

Faça a sua parte.

Mova-se em direção ao Amor.

Eu, você, todos nós, somos muito mais do que tudo isso.

Silvio K. Jr.

MÃOS A OBRA

Entre fazer o bem ou o mal.

A escolha é absolutamente nossa.

Depois não adianta reclamar que reprovamos na prova chamada vida.

Não releguemos ao ócio a nossa vida.

Há um caminho melhor.

Mãos-a-obra.

Silvio K. Jr.

CUIDE DA SUA VIDA

O melhor que podemos fazer é cuidarmos da nossa própria vida.

Depois não adianta reclamar que ela desandou.

Cuidamos tanto da vida dos outros que acabamos negligenciando a nossa própria.

Parabéns!

Literalmente estamos dormindo com o inimigo.

Tudo é uma questão de escolha e de grau importância.

O que é mais importante para você, a vida dos outros, seu trabalho, Deus?

Diante dessa ótica, se lhe perguntassem quem é você?

Que Deus nos abençoe hoje e sempre.

Silvio K Jr.

A VIDA É BELA



Abra os seus olhos.

Olhe ao redor.

Agradeça ao Pai.

Colabore você também.

Construa um mundo melhor.

Semeie o bem.

Eis aí a nossa bênção diária.

Que Deus nos abençoe hoje e sempre.

Silvio K. Jr.

13 de junho de 2020

COISAS DE DEUS



Não há dois lados quando se trata "das coisas" de Deus.


Não dá para fazer concessões.


Simples assim.


Qualquer coisa fora disso não passa de hipocrisia.


Sim, nós sabemos quando estamos errados.


A nossa consciência não nos deixa mentir para nós mesmos.


Então, não defenda os seus erros, muito menos os erros dos outros.


Que tenhamos coragem para assumir os nossos erros e seguirmos em frente.


Que Deus nos abençoe hoje e sempre.


Silvio K. Jr.

A BELEZA DA VIDA.



A vida é bela.

Abra os seus olhos.

Olhe ao redor.

Agradeça ao Pai.

Colabore você também.

Construa um mundo melhor.

Semeie o bem.

Eis aí a nossa bênção diária.

Que Deus nos abençoe hoje e sempre.

Silvio K. Jr.

Vossa Vontade



"Seja feita a Vossa Vontade..."

Qual foi a parte que nós não entendemos.

Deus não faz o que queremos e sim o que precisamos.

Nos lembremos disso em nossas preces.

Que Deus nos abençoe hoje e sempre.

Silvio K. Jr.

CUIDANDO DA SUA PRÓPRIA VIDA


O melhor que podemos fazer é cuidarmos da nossa própria vida.

Depois não adianta reclamar que ela desandou.

Cuidamos tanto da vida dos outros que acabamos negligenciando a nossa própria.

Parabéns!

Literalmente estamos dormindo com o inimigo.

Tudo é uma questão de escolha e de grau importância.

O que é mais importante para você, a vida dos outros, seu trabalho, Deus?

Diante dessa ótica, se lhe perguntassem quem é você?

Que Deus nos abençoe hoje e sempre.

Silvio K Jr.

DIGNIDADE



Dona Adália com 54 anos de idade, trabalha durante o dia das 6:00 às 12:00 h, como gari nas ruas de São Paulo e a noite das 18:00 às 24:00 h, como faxineira em um Hospital particular. Com o que recebe consegue se manter, paga o aluguel, as contas, enche de mimos a sua neta que é a sua paixão, e ainda consegue guardar um pouco em uma poupança.


Vida nada fácil, porém, Adália não reclama da rotina diária, por mais estranho que possa parecer para muitos, ela é uma mulher realizada e feliz, conseguiu criar a sua filha com dignidade mesmo após o falecimento do seu amado marido, uma das suas maiores alegria foi vê-la se formar em Letras. E, hoje ver que a sua filha se tornou uma excelente professora e mãe, completa a sua felicidade.


Se há alguma coisa que a incomoda em sua vida, talvez seja a invisibilidade social que ela experimenta diariamente nas ruas de São Paulo, ela passa desapercebida para milhares de pessoas, como se não existisse, e a noite no Hospital, muitos pacientes e médicos nem a cumprimentam. Entretanto, ela pensava consigo mesmo, essas pessoas não sabem o que estão perdendo em não me conhecerem, dava uma risada e seguia a sua vida. Uma das raras exceções, era um senhor que todos os dias, passava por ela e lhe desejava um bom dia com um sorriso imenso. Adália sentia tanta alegria, que procurava sempre naquele horário, varrer a rua no mesmo local, só para receber o cumprimento daquele senhor, sempre bem vestido com terno e gravata, que tornava o seu dia especial, e assim que ele passava por ela, o acompanhava com os olhos e via quando entrava no prédio daquela instituição bancária, e em seu íntimo o abençoava, desejando que o dia daquele senhor fosse maravilhoso.


Certa noite no Hospital, ao começar o seu turno pela ala aonde ficam os pacientes dos quartos particulares, ao entrar em um deles se deparou com aquele senhor que a cumprimentava todos os dias, deitado em uma cama, em pé ao seu lado uma senhora muito simpática, a cumprimentou, disse que podia ficar a vontade, que o seu marido sofrerá um acidente quando saia do trabalho e que infelizmente agora estava em coma, mas que não corria risco de morrer. Adália se emocionou o que foi percebido pela esposa, que lhe perguntou: a senhora conhece o meu marido? Adália sem saber o que responder, resolveu contar toda a história. E ali, naquele momento, duas senhoras choravam comovidas. Durante quase um mês, todas as noites Adália passava naquele quarto, e junto com aquela senhora faziam uma oração pela recuperação da saúde daquele bom homem. Até que em uma noite ao entrar no quarto viu aquele senhor sentado na cama, que ao vê-la, imediatamente abriu o sorriso, aquele mesmo que ela já estava tão acostumada a ver, não conseguiu conter as lágrimas. O homem que já havia sido informado pela esposa de todo o ocorrido, chamou-a para perto dele, lhe deu um abraço e lhe disse, obrigado por tudo, gostaria de me apresentar, eu me chamo Arthur e tenho muito prazer em oficialmente conhecê-la Adália. Sei que você já conhece a minha esposa Mariana, e hoje eu quero que você conheça os meus filhos, João, Antônio e Sophia. Todos se abraçaram e comemoraram a recuperação de Arthur. Adália não tinha palavras para agradecer tanto carinho recebido por aquela família. Foi difícil para ela se despedir, mas, precisava continuar o seu trabalho. Arthur novamente a chamou e lhe disse que a história deles não acabava ali, mas, que ela estava só começando. E, assim, com o coração batendo forte, Adália cumpriu com as suas funções naquela noite e seguiu para casa.


Passado uma semana, enquanto Adália varria a rua, Arthur se aproxima lhe cumprimenta com aquele sorriso de sempre e lhe dá um grande abraço e a convida para ir tomar um café com ele no Banco. Ela agradece ao convite, mas, recusa, alegando não estar vestida de acordo para entrar naquele prédio chique e que também não podia abandonar o serviço. Não aceito recusas, disse Arthur, pegou-a pela mão e praticamente a arrastou para dentro do Banco, assim que entraram no prédio, reconheceu a esposa e os filhos de Arthur, que vieram lhe cumprimentar com alegria.


Arthur vinha a ser o presidente e sócio majoritário daquele Banco, e disse a Adália, que a partir daquele momento, se aceitar é claro, que ela passaria a ser funcionária daquela instituição bancária, a sua função será a de chefiar e coordenar a equipe de limpeza que cuida de todo aquele prédio. A única condição imposta por Arthur, era que Adália apenas coordenasse e não trabalhasse diretamente com a limpeza.


A vida de Adália mudou radicalmente daquele dia em diante, pela primeira vez na vida tinha uma condição financeira estável, a sua poupança que por ironia do destino era naquela mesma instituição, agora é um fundo de ações gerida pelo próprio Arthur, a sua neta estuda na escola mantida pela fundação do Banco, na qual a sua filha foi contratada para dar aulas.


Mas, Adália não cumpriu a sua parte no acordo com Arthur, todos os dias é ela quem faz a faxina na sala do Presidente do Banco, que sempre que chega a cumprimenta com um sorriso e um abraço, e logo depois lhe dá uma dura, não foi para isso que a contratei, vou ter que demiti-la qualquer dia desses. E ao fundo, ouve-se a voz de Sophia, filha de Arthur e braço direito do pai na instituição, nem ouse papai, nem ouse...


Silvio Klinguelfus Junior