FÉ
20 de setembro de 2022
O ACIDENTE
MAIS UMA DESPEDIDA
Essa semana que passou mais um grande amigo retornou para a Casa do Pai.
16 de agosto de 2022
Dia dos Pais
Dá série, contos do “Sírvião”
...
Enquanto isso, no Banco Imobiliário da vida...
Já era começo do anoitecer e defronte a uma famosa Padaria, de repente do nada surge um mendigo e começa a pedir.
O primeiro a passar é um catador de reciclável cuja a renda mensal não passa de um salário mínimo e logo o mendigo o aborda:
- Boa noite meu irmãozinho o senhor teria uma moeda para eu juntar e comprar um pão e matar a fome.
O catador passa as mãos pelos bolsos e tira uma nota de R$5,00:
- Isso é tudo o que eu tenho, foi o que eu ganhei no dia de hoje, pode ficar para você.
O mendigo retruca:
- Não posso aceitar, o senhor deve estar com fome tanto quanto eu.
O catador:
- Não se preocupe, eu graças a bondade de uma pessoa ganhei o que almoçar hoje, amanhã se Deus permitir eu consigo mais.
O mendigo:
- Que Deus lhe abençoe.
...
O próximo a chegar foi um gerente de uma empresa familiar, cuja a renda é de R$25.000,00 e tem como obrigação do cargo, centenas de problemas diários para resolver, entre eles naquele dia lidar com um grande empresário e em negociações duríssimas para compra da matéria prima para empresa que trabalha.
E novamente a história se repete o mendigo conta que está com fome e lhe pede dinheiro.
O gerente que já estava de cara feia, acaba de fechá-la mais ainda, apalpa o bolso e tira uma moeda de um real do bolso e sem falar ou olhar para o mendigo dá a ele e segue estressado para dentro da Padaria.
O mendigo agradece e abençoa aquele gesto.
....
O terceiro a encostar foi um empresário dono de uma empresa de médio porte, que herdou do seu pai, e lhe proporciona uma renda mensal de R$100.000,00, um “bon vivant” e que costuma deixar os problemas sempre para os seus funcionários (ainda contratados pelo seu falecido pai e todos de confiança) resolverem, acredita que por serem bem remunerados eles que deem conta do recado.
E a história se repete.
O empresário tira R$20,00 do bolso dá ao mendigo e pede para ele ir pedir esmola em outro lugar.
O mendigo:
- Obrigado senhor, que Deus lhe abençoe.
...
O quarto e último foi o dono da maior empresa da região, com uma renda de aproximadamente R$1.000.000,00, e que fornece matéria prima para muitas indústrias, se considera um vencedor por ter vindo do nada e chegado onde chegou, um negociador duro e implacável, porém, justo, tendo ajudado muitas empresas quando mais precisaram, principalmente quando os donos falecem e se encontram em dificuldades.
Ele chegou com a sua família e foi abordado pelo mendigo.
Irritado com àquela abordagem inesperada, diz:
- Não tenho nada.
O mendigo:
- Obrigado senhor, que Deus lhe abençoe.
A filhinha de 5 anos do empresário ao descer do carro, abre a sua bolsinha cor de rosa e de dentro dela tira R$100,00 que ela havia ganho a pouco do pai e com um sorriso lindo no rosto, diz:
- Tome senhor, meu pai estava sem dinheiro, porque tinha dado a mim e por isso, não pode lhe ajudar.
O mendigo meio sem jeito não quis aceitar.
Mas, o empresário com cara de poucos amigos, disse:
- Pode ficar, é o desejo da minha filha.
E enfurecido, já que não podia fazer nada com relação ao ocorrido, pegou a filha pela mão e a puxou para dentro da Padaria, acompanhado da esposa e no caminho ainda resmungou em voz alta para si mesmo, que precisava falar com o Zé (dono da padaria) para colocar um segurança aqui na frente para não termos que passar por esse constrangimento.
O mendigo, novamente agradeceu e abençoou toda àquela família.
...
Naquela mesma noite os quatro envolvidos naquela história com o mendigo sofreram um mal súbito e faleceram.
...
Enquanto isso do lado de lá, no Banco da existência...
Lá estavam os quatro aguardando em uma fila e eis que surge a figura do Mendigo, só que agora não se parecia mais com um mendigo e dele se irradiava uma Luz muito brilhante e com o mesmo sorriso de meigo de outrora.
Ao se aproximar olhou para o catador de reciclagem, que abriu um sorriso e disse:
- Meu irmãozinho você também faleceu?
E o Mendigo:
- Podemos dizer que sim, faleci sim e iguais a você não morri.
O catador na sua simplicidade sem entender absolutamente nada, emendou:
- Bom pelo menos agora eu tenho um amigo aqui com quem conversar.
O Mendigo:
- Não tenha dúvida disso meu irmãozinho.
...
E o Mendigo continua e ao se aproximar do gerente, este por sua vez, já havia compreendido tudo o que estava acontecendo, já se demonstrava totalmente arrependido da sua atitude naquela noite.
- Me perdoe eu estava estressado demais.
O mendigo diz:
- Não há o que perdoar meu filho.
Nisso o catador de reciclagem diz:
- Meu amigo, esse rapaz aí, eu não sei o que ele lhe fez, mas, foi ele que me deu os R$5,00 que eu lhe passei e também o meu almoço de ontem.
O Mendigo diz ao gerente:
- Eu não disse que não há o que perdoar!
O gerente se ajoelha, recebe um afago nos cabelos, depois se levanta, abraça o Mendigo e o catador de reciclagem como em um gesto de gratidão eterna.
...
O Mendigo ao se deparar com o dono da empresa de médio porte, que também se demonstrava arrependido, vai logo dizendo:
- Meu Deus, o que eu fiz, nem tenho palavras para demonstrar todo o meu arrependimento pela minha atitude de ontem.
O Mendigo diz ao empresário:
- Não há o que perdoar meu filho.
Nesse momento o gerente então tocado pela atitude do catador de reciclagem, diz:
- Esse senhor é o meu patrão, trabalho há anos para a família dele e graças a eles eu pude ter uma vida digna, pois sempre fui juntamente com os outros funcionários da empresa muito bem remunerado e dessa forma pudemos dar oportunidades para os nossos filhos serem pessoas melhores.
O Mendigo diz ao empresário:
- Eu não disse que não há o que perdoar!
O empresário assim como o gerente se ajoelha e também recebe um carinho em seus cabelos e ao se levantar se abraça ao Mendigo e aos outros dois em sinal de gratidão.
...
E, finalmente ao se aproximar do grande empresário, o qual estava em prantos não tendo conseguido pronunciar uma só palavra sequer. Era a mais pura expressão do arrependimento.
O Mendigo chega ao seu lado, abraça-o e diz:
- Não há o que perdoar meu filho.
A situação se repete, o empresário da empresa familiar se dirige ao Mendigo e conta:
- Esse senhor é o responsável pela minha empresa estar funcionando, quando meu pai faleceu e eu ainda estava perdido em como comandar a empresa, ele foi até lá, orientou a mim e aos meus funcionários como deveríamos proceder, nos concedeu matéria prima sem garantias de pagamento, e com o auxílio dele conseguimos nos reerguer e seguir em frente.
O Mendigo vira novamente para àquele grande empresário e diz:
- Eu não disse que não há o que perdoar!
E aquele grande empresário se ajoelha e igualmente recebe um carinho em sua cabeça e todos se abraçam com um enorme sentimento de gratidão.
...
Do lado de cá, aquela menininha filha do grande empresário, deitada em sua cama a tudo assistia e com lágrimas nos olhos e com um grande sorriso no rosto, diz:
- Papai, papai, até breve eu te amo.
FELIZ DIA DOS PAIS.
Silvio Klinguelfus Jr.
Qual tipo de avião nós somos?
Convido todos a fazerem uma pequena analogia.
Imaginem que fôssemos aviões.
E que todos nós decolamos "COM A MESMA QUANTIDADE DE COMBUSTÍVEL EM NOSSOS TANQUES”, porém, durante o voo podemos optar por qual tipo de avião desejamos ser.
Alguns se transformam:
- em aviões gigantescos, capazes de enfrentar grandes tempestades, destemidos e imponentes, porém, sem grande autonomia de voo.
- em jatos robustos, velozes e intimidadores, mas que queimam combustível com rapidez.
- em aviões de carga, que levam inutilmente todo o peso extra e problemas dos demais, consequentemente não conseguem alçar voos muito altos e a grandes distâncias.
- em teco-tecos, pequenos e frágeis, porém, que voam leves, sem pesos desnecessários, capazes de se adaptarem as condições adversas com grande inteligência e diante de tempestades procuram por alternativas viáveis para contorna-las e seguirem em frente. Como resultado conseguem ir mais longe e mesmo quando o combustível acaba, são capazes de planar ainda por um tempo razoável, a ponto de aterrizarem próximos ou até mesmo no destino final sem grandes avarias.
E você, em qual desses tipos de aviões se transformou durante esse voo chamado vida e com destino a eternidade?
Nenhum avião voará para sempre.
Pensem nisso!
Viaje leve.
Não acumule conhecimento, compartilhe!
Um beijo no coração e que Deus nos abençoe hoje e sempre.
Silvio K. Jr.
1 de março de 2022
ORAÇÃO = PRECE + AÇÃO
Senhor perdão por todos os meus gestos, atitudes e pensamentos nesse dia.
Como é difícil escolher o caminho mais fácil; depois que temos nossas vidas tocadas precisamos encontrar meios para servir e praticar a caridade.
De nada adianta orarmos, se não fazemos nada para ajudar a nossos irmãos.
A cada dia que passa, descubro que minha luta para se tornar uma pessoa melhor é solitária e árdua. Incrível como a vaidade e o orgulho toma conta facilmente do nosso ser.
Eu tenho consciência, que o meu maior desafio é superar-me a mim mesmo. Até agora, essa foi à forma que eu encontrei para fazer isso.
Como diz o ditado:
“O maior cego é aquele que não quer ver; E o pior cego é aquele que só vê o que lhe interessa”.
A alma grita por ajuda através dos olhos, sem que para isso, seja preciso a pessoa dizer uma única palavra. Basta observar.
Todos nós somos capazes de perceber, só que não queremos ver, pois é muito mais fácil não se envolver.
Assim, que tenhamos todos verdadeiramente olhos de ver, e ouvidos de ouvir...
Só você basta, não precisa provar nada para ninguém.
Já aprendi o suficiente, para entender que:
- Tudo tem o seu tempo, que não cabe a mim, julgar ninguém;
- Necessário se faz ser indulgente, pois com certeza, em algum momento podemos estar do outro lado;
- Desnecessário tentar convencer ninguém sobre qualquer assunto e muito menos ter razão sobre tudo (esse aprendizado foi difícil para mim);
- A minha verdade é diferente da verdade do outro, que tudo depende de como encaramos;
- Eu só irei conseguir demonstrar ao outro como ele está errado, através das minhas atitudes e dos meus atos;
- Não adianta, não querer aprender, é inevitável, a minha lição veio pela dor e ela foi uma benção.
Existe uma grande diferença entre pensar e refletir:
- Quando refletimos, desenvolvemos autoconhecimento, para tanto utilizamos da nossa capacidade de discernir e concatenar as ideias afim que possamos avaliar nossos atos, invariavelmente baseados em nossa própria experiência.
- Quando pensamos, normalmente utilizamo-nos de raciocínio, da lógica e do nosso conhecimento empírico, para resolvermos os desafios que temos que enfrentar durante a nossa existência.
Então, nesse momento exercendo a reflexão, cheguei à conclusão, que sou um cara que só tenho a agradecer a Deus, por tudo que ele fez em minha vida.
Que Deus nos abençoe hoje e sempre.
Silvio K. Jr.
12 de setembro de 2021
SONHO
Ontem eu tive um sonho marcante que me lembrou de uma história que aconteceu há 43 anos.
Último dia de aula do ginásio, havíamos organizado um amigo invisível, que estava sendo então revelado.
Na época eu havia tirado a menina mais bonita da sala, e como eu já trabalhava em meio período devo ter deixado o meu salário do mês para lhe comprar uma caixinha de bombom de um chocolate famoso a época.
O amigo que havia me tirado, não me deu presente e alegou haver se esquecido de levar, mas que me entregaria em casa.
O tempo passou e ele não apareceu certo dia peguei a minha bicicleta, descobri onde ele morava e resolvi bater a sua porta.
Quando somos crianças, não temos a percepção exata do mundo, ao chegar a casa dele, que ficava em um curtiço e consistia apenas em uma portinha, chamei-o pelo nome, e de fora pude ouvir o rebuliço que ocorria lá dentro, a voz estridente de uma mulher claramente dando-lhe uma sonora bronca.
Depois de algum tempo ele sai com cara de choro, me dá um pequeno objeto embrulhado em uma folha de jornal, dá as costas e entra novamente em sua casa.
Naquele pequeno embrulho continha um sabonete desses de amostra grátis.
Enfim... o tempo passou e eu provavelmente nunca mais tenha pensando naquela história até o sonho de ontem, no qual recebi a visita daquele mesmo menininho me pedindo desculpas pela decepção que tinha me causado.
Óbvio que mesmo quando criança depois de um tempinho compreendemos toda a situação e aquilo não me impactou, mas, talvez tenha impactado e muito a vida daquele então meu amiguinho.
Voltando ao sonho, assim que disse àquela então "criança" que não se preocupasse e que nada havia a ser perdoado, ele me agradeceu e diante dos meus olhos se transformou em um homem, despediu-se com lágrimas nos olhos e um sorriso meigo no rosto e da mesma maneira como surgiu, sumiu.
Vá em Paz meu amiguinho e até breve.
Que Deus nos abençoe hoje e sempre.
SILVIO K. JR
27 de julho de 2021
Pandemia
Essa pandemia nos trouxe perdas dolorosas, porém, em contrapartida nos ensinou a valorizar tantas coisas.
Posso falar por mim é claro.
Me considero um abençoado não apenas por ter superado a Covid, mesmo sendo um paciente com histórico oncológico e acima do peso. Eu me considero um privilegiado por ter trabalho e estar trabalhando presencialmente todos os dias dessa crise sanitária, me relacionando com pessoas, vendo o sol raiar, as estrelas a brilhar, minha filha crescer e junto com a minha esposa amadurecer.
Eu me sinto abençoado e um privilegiado por não ter sucumbido ao medo e ser derrotado pelo desconhecido.
Diante de tanta negatividade confesso que muitas vezes é preciso ter muita coragem para abrir a porta da rua e sair para trabalhar e poder sustentar a sua família de maneira digna.
Eu me importo com cada um de vocês que leem essas minhas mensagens.
Eu me importo com a vida de todos.
Creio que a minha missão seja muito mais do que levar palavras de ânimo e conforto.
Mostrar como a fé é importante, em como ela mudou a minha vida e me fez compreender que não adiantaria de nada eu ficar sentado reclamando da minha situação.
Que nada cai do céu se não nos movimentarmos.
Que com Deus somos capazes de superar qualquer adversidade que possa surgir em nossas vidas.
Essa é a minha missão, quiçá, a todos nós.
Somos importantes não só pelo o que fazemos, mas principalmente por aquilo que somos.
Todos nós somos filhos de Deus.
Um beijo no coração e que Deus nos abençoe hoje e sempre.
Silvio K. Jr.
1 de fevereiro de 2021
DIÁRIO COVID 19
- 07/01 (quinta-feira) - Primeiros
sintomas:
Olhos ardentes e lacrimejando.
- 08/01 (sexta-feira) sem sintomas, a
ardência nos olhos passou, apenas um pouco de cansaço, aparentemente fruto de
uma noite mal dormida.
- 09/01 (sábado) acordei bem, fui
trabalhar e do nada uma tosse seca começou a incomodar, logo após o almoço
senti o meu corpo arrepiado, como se eu tivesse com intoxicação. Logo em
seguida comecei a transpirar sinal de febre e de que alguma coisa estava errada
comigo. Enfim, sintomas de uma gripe forte, tomei um antigripal, os sintomas
melhoraram, mas a febre não cedeu.
- 10/01 (domingo) acordei ensopado de
suor, porém, a febre havia cedido, continuei o tratamento à base de antigripal
a febre voltou, tomei dipirona ela cedeu novamente, mas no final do dia estava
de volta. Já havia tomado a decisão de fazer o teste da Covid antes de ir para
o trabalho na segunda-feira.
- 11/01 (segunda-feira) acordei
ensopado de suor, mas, muito bem, a febre havia cedido, estava feliz. Do nada
novo ataque de transpiração e algumas idas inesperadas ao banheiro. A febre
novamente instalada. Exame do cotonete feito e teste positivo para a Covid.
Passei pelo médico que receitou diversos remédios e início imediato do
tratamento. Passei o dia bem, apenas o incomodo da transpiração que no meu
entender, significa que o meu organismo está lutando contra o vírus e que os
remédios estão fazendo efeito. Como eu não costumo tomar remédios, os efeitos
são rápidos em meu organismo.
- 12/01 (terça-feira) mais um dia que
acordo ensopado de suor, porém, sem sintoma algum aparente nem de febre. Passei
bem o dia, de sintomas apenas a tontura. A noite aparentemente dei adeus ao meu
paladar e de volta a transpiração excessiva.
- 13/01 (quarta-feira) para variar
acordei ensopado novamente. Os sintomas permanecem os mesmos, muita tontura,
transpiração excessiva e um pouco de cansaço mental, como é difícil mudar a
direção dos nossos pensamentos.
- 14/01 (quinta-feira) uma semana dos
primeiros sintomas. Para não sair da rotina, mais um dia acordando ensopado. Haja
pijama e roupa de cama. Mas, graças a Deus esse junto com as tonturas são os
maiores sintomas que eu venha sentindo. E claro a luta diária para mudar os
pensamentos. Perdi a vontade de ler, parece que não conseguimos raciocinar
direito. A gente lê uma página, tem que reler, que canseira isso. Resta a televisão.
Meooooooo Deooollls, só desgraça. Daí vem a raiva, queremos ficar mais sozinhos
ainda, perda da paciência, vontade de ficar quieto, isolado mesmo... Daí a
gente se lembra dos parentes, amigos, colegas que estão passando por isso
também e lá vem mais preocupação e o ciclo começa de novo. Dá-lhe pensamentos.
Para encerrar o período noturno, eis que surge um novo sintoma, a diarreia.
- 15/01 (sexta-feira) pela primeira
vez desde que a doença se manifestou acordei sem estar ensopado, que sensação
excelente. Obrigado Pai. As tonturas que venho sentido aparentemente também
diminuíram. Porém, em compensação a diarreia continua. Risos. Bora para os
próximos capítulos... Nova sintonia mental e tudo certo no tempo de Deus e
assim lá se vão nove dias e contando... Diarreia terrível no dia de hoje fora
os enjoos. Acabaram comigo.
16-01 (sábado) - Cansado, noite mal
dormida. Aparentemente a diarreia acabou ou ela acabou comigo. Restaram os enjoos.
De outros sintomas, graças a Deus nem notícias. Vamos ver como esse dia se
desenrola... Já deu tudo certo. Muita ansiedade, tédio. Não consegui dormir,
não consigo mais ficar em casa. Parece que a gente vai explodir.
17-01 (domingo) último dia da
medicação. Nem acredito. Não suporto nem mais o cheiro do remédio, estou com o
estômago embrulhado, muitas náuseas. A ansiedade tomou conta. Até parece que um
vazio tomou conta da alma. Que loucura... Não consigo nem me concentrar. Me
ajuda Pai...
18/01
(segunda-feira). Vamos lá. Obrigado a todos pelo carinho. Realmente essa etapa
psicológica da doença não é fácil. Achei que eu iria conseguir passar por ela
sem arranhões. Ledo engano. O pior até agora para mim foi o enjoo e a diarreia.
Hoje mais uma vez dormi muito mal, levantei várias vezes devido a diarreia que
voltou. Basicamente estou abatido e com fraqueza. O difícil mesmo é não ter
posição para dormir e o cérebro fica ativo 24 h e não lhe dá trégua. Não vejo a
hora de voltar à ativa. De resto só tenho a agradecer.
Epílogo.
19/01
(terça-feira) – Hoje é o meu último dia deste diário. Para variar dormi muito
mal e como também não é novidade acordei bem enjoado. Porém, sem os sintomas
clássicos, principalmente de febre que há alguns dias não aparece. Assim, eis
mais um ciclo que se encerra em minha vida e com certeza outros virão. Gostaria
de agradecer a todos vocês que dedicaram um tempinho das suas vidas para uma
oração pela minha pessoa, para me enviar boas energias e escrever palavras de ânimo.
Elas, sem dúvida foram de suma importância para mim em alguns momentos bem
delicados desse processo chamado Covid 19. Vida que segue... Um beijo no
coração e que Deus nos abençoe hoje e sempre.
18 de outubro de 2020
TICHA A DESAVERGONHADA
Outro dia conheci a Ticha, eis o seu nome de guerra.
Ela me encarou e olhou fixamente nos meus olhos, senti um
arrepio percorrer a minha espinha.
Eu precisava tomar uma atitude, então me levantei e fui em
sua direção, infelizmente ela agiu de forma surpreendente, deu um salto e saiu
ligeira, não me dando chances de alcançá-la, entretanto, não deixei de notar o
seu jeito de andar, enquanto me deixava ali estático.
Qual não foi a minha surpresa quando a vi novamente, mas
agora em meu quarto, de repente como se por mágica, ela já estava em minha
cama, que loucura.
E como me deu trabalho, ela muito rápida, logo estava
percorrendo toda a minha cama com uma agilidade incrível e começou a deslizar
pelo meu corpo e eu tentando freneticamente acompanhá-la, mas quem diz de
conseguir, realmente estou ficando velho.
Quando finalmente consegui agarrá-la com as minhas mãos, eu
estava tão excitado com aquela situação, um mix de surpresa e raiva, que
pressionei com as pontas dos meus dois polegares o seu pescoço quase levando-a
a óbito. Ela estava completamente gelada.
Confesso que fiquei com medo de tê-la asfixiado, porém,
observei que se mexia, com ela ainda em minhas mãos, levantei-me rapidamente,
abri a porta colocando-a para fora da
minha casa.
E disse:
- Vá Ticha e nunca mais volte.
Ela virou-se para mim, ameaçou voltar, mas, eu fui firme,
bati a porta e fiquei pensando comigo mesmo, que desrespeito dessa tal de
Ticha, vir a minha casa e invadir a minha cama desse modo.
Senti algo mexendo nos dedos do meu pé, era um pedaço da
Ticha que deve ter se partido quando bati a porta.
Para quem tiver interesse em conhecer a Ticha, o seu
verdadeiro nome é Lagartixa.
Deve estar sem o seu rabo nesse momento.
Me desculpe Ticha.
Mas, tenho certeza de que você vai se recuperar.
Meooooooo Deooollls.
Silvio K. Jr.
27 de setembro de 2020
A VIDA E SEUS MISTÉRIOS...
Em uma
casinha simples, assim como tantas outras no Estado do Paraná que são feitas de
madeira, por serem um excelente isolante térmico, perfeita para os períodos de
extremo frio naquela região do país.
Pai, mãe
e filho viviam o sonho de todo pequeno agricultor, conseguir sobreviver com aquilo
que produzem.
Nessa
vida simples o radinho de pilha era companheiro inseparável o pequeno Samuel
que mais parecia um curió de tanto que gostava de cantarolar, adorava as modas
de violas, mesmo aos cinco anos de idade, sabia todas de cor.
O seu
talento impressionava aos seus pais, que sabiam estar diante de um gênio, mesmo
quando a pequena rádio do interior tocava algumas músicas estrangeiras ele sabia
cantá-las e era capaz de assobiar com perfeição as músicas clássicas que ouvia incansavelmente
na pequena vitrola que ganhou de presente de aniversário dos seus avós, juntamente
com alguns discos de vinis que continham as maiores obras primas.
A vida
seguia tranquila para o pequeno Samuel, até que o inesperado acontece naquele
ano de 1.992, um tornado de proporções gigantescas assolou a região da pequena
cidade de Almirante Tamandaré – PR., o pai ao ver o tornado se aproximando,
levou a esposa e filho para um pequeno porão que ficava abaixo da casa, ficando
o pai deitado por sobre os dois, infelizmente a casa de madeira não aguentou e
desmoronou, uma viga do telhado caiu com tanta força que varou o alçapão do porão,
vindo a ferir mortalmente aos pais do Samuel que somente sobreviveu por centímetros.
Ali
preso nos escombros, por debaixo dos corpos dos seus pais, esperou por quase três
dias até que o resgatassem, nesse período, a sua companhia fora um rádio que funcionou
sem parar, trazendo mensagens de esperanças, músicas que Samuel nunca as tinha
ouvido, mas que calavam fundo ao seu coração, jurava ouvir seus pais através do
rádio, dizendo que estavam bem e que a ajuda logo viria, e que mesmo de longe
sempre estariam junto com ele e que o seu futuro embora fosse em terras
distantes e no idioma dos seus avós, logo ele estaria de volta para ajudar
muitas pessoas.
As
horas iam passando e o pequeno Samuel como se confortado, já não se sentia tão
só, quando os vizinhos da propriedade rural conseguiram finalmente chegar até a
ele, se espantaram com a sua coragem. Samuel parecia ser um adulto, tamanha era
a sua força moral.
Contou
aos seus socorristas como tudo aconteceu e as histórias que ouviu no rádio,
porém, o único rádio que encontraram naquele porão, era um velho, aparentemente
quebrado e que não era alimentado por pilhas e sim por eletricidade, o que toda
a região estava sem, desde o dia da passagem do tornado. Imaginaram que o
pequeno Samuel estava em choque e que havia imaginado tudo aquilo.
Seguindo
as orientações que lhe foram passadas, Samuel pediu para ir morar com a tia,
irmã da sua mãe, o que não lhe foi negado e assim seguiu para a Curitiba – PR.
Sua tia era extremamente amorosa e se parecia muito com a sua mãe, ela o
recebeu como filho e além das afinidades entre parênteses próximos, os dois
tinham o amor pela música em comum, sua tia cantava muito bem e o seu tio tocava
na Orquestra Sinfônica do Paraná, criada então a pouco mais de cinco anos.
Assim
nessa família musical ele se desenvolveu musicalmente, compondo aquelas músicas
que ouviu quando estava soterrado, o seu tio no início o ajudava a transformá-las
em notas musicais, mas, logo Samuel fazia tudo sozinho e com extrema destreza, e
aos 10 anos de idade, após participar e ganhar um concurso para novos talentos,
teve a sua primeira obra executada pela Orquestra Sinfônica do Paraná.
Um
grande maestro internacional havia sido convidado a participar como jurado
naquele concurso e se espantou com a qualidade daquela música, obviamente se
interessou em conhecer o autor, ao se deparar com as outras obras do pequeno
Samuel, se encantou e imediatamente o convidou juntamente com a sua família
para irem morar com ele em Berlim, na Alemanha.
Novamente
a vida do pequeno Samuel muda completamente, e mesmo assim, ele seguia seguro,
não titubeou nem um pouco quando o contive chegou, os seus tios sabiam que estavam
diante de um pequeno gênio e igualmente não tiveram medo em aceitar ao convite.
A vida
em Berlim foi repleta de alegrias, Samuel dominou o idioma imediatamente, bem
como os seus tios que assim como ele tinham origem germânica e já eram familiarizados
com a língua, haja vista, seus avós e pais se comunicarem no idioma da terra
materna.
Inacreditavelmente
mesmo sendo na atualidade um dos maiores compositores de músicas clássicas no
mundo, Samuel não é reconhecido no Brasil.
Hoje
aos trinta e três anos de idade, divide o seu tempo entre a Capital Alemã e a
pequena Almirante Tamandaré, no Estado do Paraná, e naquele mesmo sitio onde
outrora morou e perdeu seus pais, fundou uma escola onde se ensina de tudo, da
música clássica, passando pelo balé, indo até a leitura, navegando por histórias,
contos e poemas, verdadeiro oásis da cultura que floresceu justamente onde tudo
parecia ter terminado um dia.
A vida
e seus mistérios...
Silvio
Klinguelfus Júnior