Quando a rotina estraçalha a nossa vida
Quem nunca se sentiu um completo idiota ao se dar conta, em algum instante da vida, da quantidade absurda de tempo que jogamos fora inutilmente?
A esmagadora maioria de nós acorda cedo — uns com um pouco mais de fôlego, outros com menos — e mergulha na velha engrenagem de sempre: sair para trabalhar, voltar para casa exausto no fim do dia, desabar na cama, acordar na manhã seguinte e repetir o ciclo.
Para dar a dimensão desse absurdo, basta olhar ao redor: estamos em pleno século XXI e ainda discutimos a escala 6x1. Se você vive preso a ela, sinto dizer, mas a sua vida foi sequestrada. Você já parou para pesquisar quem realmente cumpre essa jornada no Brasil? São cerca de 14 milhões de trabalhadores — um terço da nossa força ocupada —, sobrevivendo com uma média salarial de apenas 1,5 salário mínimo.
Nem precisaria de lei para pôr fim a isso. Bastava um princípio básico: se não é bom para mim, não serve para ninguém.
Agora, se você nem sequer depende dessa faixa de pura subsistência — e, ainda assim, entrega seus dias a esse moedor de carne, provavelmente esteja desperdiçando a sua existência com vaidades que talvez venham a lhe cobrar um preço alto demais lá na frente. Está trocando a sua vida por aparências, enquanto a sua própria família se desfaz dentro de um suposto castelo dourado.
É urgente repensar a rota. A vida corre veloz em direção ao ponto final.
Costumamos nos vangloriar das conquistas materiais e adoramos exibi-las. O que ninguém mostra, no entanto, é que essa rotina massacrante transformou muitos em reféns de ansiolíticos e do álcool. Ninguém publica que a nossa ausência crônica pode ter sido decisiva para empurrar os filhos para as más companhias e para o abismo das drogas. Adoramos acrescentar patrimônio à declaração do Imposto de Renda, mas engolimos a vergonha a seco quando precisamos retirar um filho do rol de dependentes porque o perdemos para o vício.
A maioria de nós mal consegue gerir a própria casa e, ainda assim, se acha no direito de apontar o dedo para tudo. Tenha a santa paciência.
Uma hora a conta chega, e o choque é inevitável: olhar para trás e constatar, tarde demais, o quanto fomos tolos. Ainda resta tempo para deixarmos de ser meros idiotas funcionais.
Liberte-se. A verdade está escancarada bem à sua frente — só nos falta a coragem de encará-la e agir.
Silvio K. Jr.
P.S.: Este texto não tem viés partidário nem conotação política. A menção à escala 6x1 entra aqui unicamente como um retrato da realidade para contextualizar a discussão maior: o valor do tempo que estamos deixando escorrer pelas mãos.
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